sábado, 24 de novembro de 2012

Capítulo 15 - Enterro

Estou em uma sala totalmente branca, não há nada só eu sentada.
- Aonde estou? - pergunto e só ouço : aonde estou? aonde estou? aonde estou? - Tem alguém aí? - pergunto e novamente soa um eco Tem alguém aí? Tem alguém aí? Tem alguém aí? Começo a chorar e chorar e chorar.
Acordo de um pulo. Harry que está ao meu lado acorda e abraça-me enquanto volto a chorar.
- Foi só um pesadelo, fica tranquila - me dá um beijo na testa. Meu pai morreu, já não tenho mas ninguém. Mãe? não tenho mais. Pai? não tenho mais. Avós e avôs? já faleceram todos. Tias e tios? sim. Tenho a tia Liza que não a vejo há mais de 6 anos. 
Harry que está meu lado se levanta e pega seu casaco. 
- Louise, tenho que ir - ele se vai quando eu mais preciso dele, mas ele tem que cuidar da sua pópria vida, não posso atrapalhar a vida dele - Qualquer coisa é só ligar - sei que ele vai ligar-me cada minuto do dia - Volto depois, tchau - e sai.
Ligo a televisão e as notícias sempre falam da minha perdida "Pai da famosa atriz Louise Pryce faleceu ontem" não aguento isso, meu pai morre e eles começam com isso, essas teorias malucas. 
Desço tomo meu café-da-manhã e não falo com ninguém, pois Francesca já deve ter ido no supermercado. Subo de novo, faço minha higiene e visto uma blusa com mangas bem cumpridas as quais cobrem minhas mãos e uma calça de moletom. Deito na minha cama e olho para o teto enquanto vem milhões de lembranças, não só do meu pai se não que da minha mãe também. Viro minha cabeça e vejo minha mesinha onde tenho fotos e bastantes buquês que me deram. Só de olhar as fotos bate uma saudade, saudade dos dias que eu era livre dos focos.
- Toc, toc - alguém chama a porta. Rapidamente dento na minha cama e enxugo as minhas lágrimas. É Sam. 
- Fiquei sabendo que você ia abrir uma floristeria e vim colaborar - diz olhando pra minha mesinha e deixa um buquê de rosas lá - E aí como você está ? - pergunta se sentando  
Floristeria, me rio com o pensamento soltando uns risinhos.
- Na medida do possível - digo fitando o teto. O seu celular toca e fica nervoso.
- Hum...Louise, eu preciso ir. Melhore logo, ok? Pra nós nos divertimos mais - diz com um sorriso. Anda até a porta e fica olhando-me e balança a cabeça como se estivesse hipnotizado e vai embora.
Passo uma hora fitando o teto até que vou vestir-me para o enterro do meu pai.
Desço e Harry á está lá em pé me esperando. Surge um sorriso de seus lábios quando me vê
que me faz sorrir também. Espero que não esteja tão vermelha.
Entramos em seu carro e percorremos o caminho ao cemitério em silêncio. Desço e vejo alguns paparazzi's. Abaixo a cabeça e Harry me rodeia com um braço e caminhamos até um buraco grande e profundo. Olho para aquilo e não acredito que vou colocar meu pai ali, e não é durante meses é para toda a eternidade. O mecanismo começa a mexer e o caixão do meu pai começa a descer. As lágrimas escorrem pelo meu rosto como se fosse uma cachoeira. Harry me puxa mais pra perto dele e fica me abraçando. Um abraço longo, isso que eu precisava. Um abraço longo e um ombro pra chorar. Se termina o abraço e me dá um beijo na testa e se vai correndo. Fico observando ele correr e cada vez ficar mais longe de mim. Me giro e ele já está lá. Debaixo da terra como minha mãe. Aperto o anel de casamento da minha mãe que tenho pendurado de uma corrente em meu pescoço bem forte. 
- Olá senhorita! - exclama um homem com um carrinho de flores - Quer alguma flor ? - me pergunta. Limpo minha lágrimas e me aproximo.
- S-s-i-im - falo gaguejando - Duas rosas. Uma branca e uma vermelha, por favor - lhe pago.
- Obrigada senhorita, e sinto muito - diz e sai correndo com seu carrinho em direção a novos clientes.
Sento em um toquinho de árvore com as duas rosas nas mãos. Penso na minha família, em nossos momentos. Levanto-me e deixo a rosa vermelha encima da lápide do meu pai.  Observo seu nome "John Peter Pryce" e esboço um sorriso. Caminho até chegar na lápide de minha mãe "Katherine Rose Pryce" e esboço outro sorriso. Deixo a rosa branca encima de sua lápide e vou andando e saltando os toquinhos de árvores. As rosas. A rosa branca e a rosa vermelha. 
"A minha rosa favorita é a vermelha" - dizia meu pai enterrando a raíz da rosa vermelha.
"A minha é a branca" - dizia minha mãe observando sua rosa branca. Eu estava sentada na grama do nosso enorme jardim observando-lhes. Aquilo me parecia tão inútil, pensei que nunca ia lembrar ou ligar para uma coisa dessas. As rosas tem um símbolo diferente para mim. A rosa branca simboliza minha mãe e a vermelha meu pai.

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